Mini cursos

Inscrições em breve na área do simposista.

A Antártica e o Clima na América do Sul: novas perspectivas

MINISTRANTES: Francisco Eliseu Aquino (UFRGS) e Venisse Schossler (UFRGS)


Introdução


Nossa proposta tem ênfase em divulgar pesquisas e projetos que desenvolvemos no Departamento de Geografia e no Centro Polar e Climático da UFRGS, nos últimos 20 anos, sobre conexões climáticas globais, eventos meteorológicos e climáticos no Brasil que possuem relação entre os climas da Antártica e da América do Sul. Também, o mini curso busca uma diálogo em torno de toda atividade humana e científica que são feitas para tentar entender melhor as mudanças ambientais globais.



Justificativa


Nas últimas décadas, observamos uma renovação do interesse no clima da Terra. Uma das grandes questões que necessitamos responder é: Como as condições ambientais da Terra respondem ao atual quadro de mudanças climáticas? Já sabemos que as regiões polares possuem um importante papel no sistema natural da Terra. Assim, desenvolver pesquisas nas mais diversas áreas do conhecimento científico no Continente Antártico propicia ao Brasil um entendimento das mudanças ambientais observadas nas regiões polares e o impacto destas mudanças no Planeta e principalmente no Brasil.



Conteúdos Programáticodo minicurso


Essa proposta aciona uma introdução básica e ampla ao sistema climático, Balanço de energia no sistema terrestre, Circulação geral atmosférica e oceânica; Paleoclimatologia; Teleconexões, Variabilidade e Mudanças Climáticas.


Vagas: 20
Valor: 25,00
Data: 29/06/2017 - Horário: 8:00 às 18:00
A Identificação e quantificação das massas de ares que atuam nos climas do Brasil - As Cartas Sinóticas e os estados do tempo atmosférico

Dr. Victor da Assunção Borsato (UNESPAR) e Dra. Erica. Collischonn (UFPEL)


Introdução


A Climatologia é considerada um ramo da Geografia e a grande área do conhecimento é o da Geografia Física, embora se saibam que a climatologia é uma ciência de interesse de diversas áreas do conhecimento, mas ela se apoia na Geografia.  A Arquitetura, Agronomia, Zootecnia e principalmente as Engenharias, da Aeronáutica à civil. Da mesma forma, essas ciências se apoiam também na Meteorologia. Por isso, há pesquisadores e profissionais que trata essas duas ciências como única. Por outro lado, elas se complementam.



Na climatologia há diversas abordagens, tais como: “Climatologia Analítica, Separativa ou Tradicional; Climatologia Dinâmica; Climatologia Sinóptica e Climatologia Sintética ou Moderna”. A Climatologia Geográfica, a princípio, pode ser considerada como o principal ramo da Climatologia Dinâmica tanto quanto da Climatologia Sinótica.



A Climatologia Sinótica considera a atmosfera como realidade física e dinâmica, onde atuam forças, consequência dos movimentos que o planeta executa e também pela energia solar engendrada na atmosfera terrestre. Por isso, não se deve desprezar a Física. Ela consegue dar resposta das atuações dessas forças nos estratos atmosféricos, ou seja, faz as previsões do tempo.



As Leis físicas são consideradas pela Meteorologia, por isso, por meio de equações específicas, essa ciência consegue fazer as previsões do tempo. Essas previsões são cartografadas com validade que se estende por algumas horas, mapas denominados de Cartas Sinóticas. Essas cartas resumem, por meio da simbologia específica as condições do tempo que se processarão nas próximas horas.  As navegações aéreas e marinhas apoiam-se nessas cartas para seus planos de navegação. Os Institutos Meteorológicos também executam os cálculos das previsões do tempo para intervalos de tempo maior. Hoje, as previsões iniciam para as próximas seis horas e se estendem até 240h.



Dessa forma, fica evidente que a Meteorologia é uma ciência da Física da atmosfera e seu principal objeto de estudo são as previsões do tempo. Por outro lado a Climatologia, cuja preocupação ou objeto de estudo são as consequência dos estados do tempo na organização do espaço, ou seja, a Climatologia busca explicar ou procura ampliar entendimentos da gênese à dissipação dos fenômenos climáticos, cujo palco da sua ação é a interface atmosfera/litosfera, mais especificamente a superfície antropizada, por isso “Climatologia Geográfica”.



Considerando-se que a Climatologia Geográfica tem no seu objeto de estudo a relação do homem com o meio, esse enfoque se estende às modificações promovidas pelas ações do homem ao espaço geográfico, os quais podem desencadear respostas, num primeiro momento, nos atributos do clima, na intensidade dos episódios e por fim no Clima, principalmente na intensidade dos episódios de chuva com granizo e rajadas de ventos que podem extrapolar o habitual.



Para ampliara a compreensão, a Climatologia se apoia também na estatística como ferramenta na organização e na interpretação dos dados climatológicos e tirar conclusões. Principalmente para populações amostrais em longas séries.



Na Climatologia Geográfica é importante conhecer as gêneses dos fenômenos climáticos e, em todas as escalas de abordagens, como também, interpretar e compreender as interações que se manifestam entre os elementos da atmosfera e a esfera antrópica. Dessa forma, é possível considerar o clima como o principal aliado na organização do espaço.



As características climáticas e suas influências no meio são essenciais para a tomada de decisão. A relação que o homem estabelece com o clima se evidenciam na relação dele com o espaço ocupado, que se intensifica na mesma intensidade em que os conhecimentos climáticos se ampliam. Esse entendimento é simplificado se considerar os viés na grande escala, para, por fim, entender a relação que o homem estabelece com o clima e tirar o máximo de proveito do meio.



Justificativa


Acredita-se que para ampliar os conhecimentos climatológicos seja necessário um embasamento sólido. Para interpretar uma “carta sinótica” retrato momentâneo do tempo atmosférico, o embasamento é compreender a dinâmica da circulação geral da atmosfera que, por sua vez, está apoiada nos ventos, que também tem seus mecanismos, os quais precisam ser compreendidos. Seus mecanismos e forças para na sequência, explorar a circulação Geral, que, na grandeza climatológica, ocupa a primeira grandeza, para na sequência explorarmos as cartas sinóticas, segunda grandeza.



As Cartas Sinóticas são mapas que sintetizam um pool de informações sobre os estados do tempo. Para tanto, é preciso decodificar as simbologia meteorológicas nelas utilizadas. Os elementos do tempo nelas retratados podem ser interpretados em qualquer escala de grandeza, por isso, os sistemas atmosféricos poderão ser acompanhados da gênese à dissipação pela leitura sequencial das cartas.



Considerando que as Cartas Sinóticas são construídas na segunda grandeza espacial, os sistemas atmosféricos são também dessa grandeza. Para um país de dimensões continentais como o Brasil e atravessado por dois importantes paralelos, o equador e o trópico de Capricórnio, assim sendo, os climas do Brasil são diversos, do Equatorial ao temperado no Sul. Por outro lado, a grande extensão norte sul faz com que a dinâmica climática seja influencia pela estacionalidade. Na Estação mais quente prevalecem as chuvas convectivas e as massas de ares de baixa pressão. Na estação mais fria, as chuvas se escasseiam em grandes áreas ou prevalecem as frontais.



A macroestrutura do relevo também participa na configuração da tipologia climática do Brasil. A Cordilheira do Andes se constitui em uma barreira à circulação de baixo nível. Da mesma forma, as planícies centrais sul-americana canalizam os ventos, tanto os polares que avançam do Sul como os alísios que adentram na Amazônia e são barrados pelos Andes no oeste e às vezes direcionam-se para o Sul.



Assim como o relevo o Oceano Atlântico também participa nas gêneses dos climas do Brasil, o Anticiclone do Atlântico Sul influencia na circulação sinótica e esse centro anticiclonal, ora se aproxima, ora se afasta da costa brasileira e da mesma forma, os centros de baixa pressão se condicionam à essa configuração.



O Brasil, mesmo sendo um país de dimensões continentais não é palco de qualquer sistema atmosférico, ou seja, as características fisográficas do Brasil não apresentam condições para a origem de massas de ar. Por isso, o País se constitui em uma grande área de dissipação, modificação ou total descaracterização das massas de ares.



Massas de é uma grande porção do ar atmosférico com milhares de quilômetros de diâmetro e com características uniformes. As maiorias das massas de ar são grandes células de ar na troposfera, por isso na circulação secundária. Dentro dessas células há uma uniformidade na temperatura, na umidade relativa e, uma gradativa variação na pressão a partir de um centro ciclônico ou anticiclônico, umas são semifixas outras migratórias.



Dada a extensão territorial e a localização geográfica no globo, atuam nos climas do Brasil cinco massas de ar, três de origem oceânica e duas continentais e também o sistema frontal e estão assim distribuídas e configuradas: Na Amazônia atua a massa Equatorial continental (mEc); ao norte do Nordeste prevalece a atuação da massa Equatorial atlântica (mEa). Na porção oeste do Centro Sul do Brasil, manifesta-se com mais frequência a massa Tropical continental (mTc) e no leste da mesma região, o domínio é o da massa Tropical atlântica, no Sul, principalmente no inverno predomina a atuação da massa Polar atlântica.



Como todas as massas de ares que atuam no Brasil tem sua origem fora, elas invadem o território brasileiro a partir da expansão dos seus centros de origens ou migram, seguindo a dinâmica da circulação zonal e regional (Figura 1). Dessa forma, ao avançar em território brasileiro elas impõe as suas características e assimilam as características das áreas por onde avançam, por isso, modificando-se. As modificações se intensificam na medida em que as condições térmicas e hígricas se contrastam com a dos sistemas que avançam.



Para se familiarizar com as características básicas das massas de ares que atuam nos climas do Brasil é fundamental ampliar os conhecimentos que fundamentam a física ou o mecanismo físico dos centros de ações e também os mecanismos e forças que puncionam a circulação Geral da atmosfera.



Conteúdo Programático


 As cartas sinóticas são elaboradas a partir da simbologia meteorológica, segundo a Organização Mundial de Meteorologia. Essa simbologia retrata o estado do tempo na escala sinótica em um dado momento, por isso, elas são fundamentais para a navegação aérea e marinha. Para a Climatologia, as Cartas encerram um arquivo dos estados do tempo e tais informações meteorológicas podem ser preservada e a parti da leitura podem-se interpretar as condições do tempo, assim como a dinâmica, desde que seja feito a leitura sequência para um período.



Dessa forma, para uma leitura precisa das cartas é necessário compreender aos conceitos básicos da climatologia e para vivenciar esses conceitos organizamos um pool de itens fundamentais, a partir da circulação geral, compreender a identificar as massas de ares que atuam nos climas do Brasil.



Primeiro tópico:



O primeiro tópico a ser abordado será os ventos, mecanismo e forças – circulação geral. As células de Hadley, Ferrel e Polar. Gradiente de pressão, ventos Geostróficos, barostróficos e ventos locais.



Esse tópico permitirá que o cursista amplie a compreensão e consiga ler a direção e a intensidade dos ventos em uma Carta Sinótica.



Segundo Tópico:



O segundo tópicos a ser abordado será os centros de ações, iniciando pelos anticiclones; O anticiclone do Atlântico Sul e o Polar e suas dinâmicas. Assim, os cursista compreenderão os mecanismos de invasão dos centros de alta pressão em território Brasileiro.



Neste mesmo tópico será abordado a Depressão do Chaco e as correntes dos ventos alísios que invadem a região norte do Brasil até a configuração da Corrente de Jato de Baixo Nível.



Terceiro tópico:



Caracterização das massas de ares que atuam nos climas do Brasil – essa caracterização abordará a dinâmica na estação do verão, no inverno e comportamento mais habitual nas estações de transição.



Quarto tópico:



Análise das cartas sinóticas da Marinha do Brasil – Será escolhido um mês e para este serão identificadas as massas de ares que atuaram naquele dia no Brasil.



Os resultados serão plotados em planilhas para no final apurar a participação de cada massa de ar nos estados do tempo no Brasil. Para que todas a regiões sejam analisadas serão selecionados uma localidade no Nordeste, no Sudeste, no Sul, no Centro Oeste e no Norte do Brasil.



Para a espacialização, os dados serão interpolados por meio do interpolador IDW (inverso da distância ao quadrado) no software livre Qgis, no qual também serão elaborados os mapas temáticos, sendo uma para cada massa de ar.



Espera-se que os cursistas, no final das atividades consigam, além de lar e interpretado os estados do tempo em uma carta, seja capas de identificar a massa de ar que esteja atuando, somente pelas características higrotérmicas.


Vagas: 30
Valor: 25,00
Data: 29/06/2017 - Horário: 08:00 às 18:00
A Paisagem e a Geografia em diferentes escolas: um repasse sobre teorias e aplicações na Alemanha, França, Rússia e Brasil

MINISTRANTE: André Mateus Barreiros (USP)


Introdução e justificativa


A Geografia, como ramo do conhecimento moderno, é muito recente: foi sistematizada no século XIX a partir das discussões teóricas de Alexander von Humboldt e dos trabalhos normativos de Carl Ritter, contando com pouco mais de 200 anos. Apesar da pouca idade, este conhecimento é dinâmico e rico em transformações conceituais, teóricas e metodológicas, o que segmentou a matéria em várias especialidades e ideias, cada qual com seu objeto ou categoria de análise. Se há, possivelmente, um consenso entre geógrafos e geógrafas, é que não há consenso dentro da disciplina.



A geografia surgiu a partir do estudo empírico e comparação da morfologia de setores da superfície terrestre, dividida em áreas onde cada parte contém elementos da natureza e da sociedade com interações particulares, formando um mosaico. Humboldt denominou estas unidades como Landschaften (Paisagens), o objeto de estudo da Geografia, e deu maior peso a análise da natureza; Ritter utilizou a paisagem para compreender o processo histórico de uso e ocupação da Terra e a evolução da sociedade.



Estes dois autores, com posterior contribuições de Friedrich Ratzel e Paul Vidal de La Blache, estabelecem as bases e princípios que sustentaram a disciplina ao longo de todo o período da “Geografia Tradicional”, como discutido por Paul Claval em sua Epistemologia da Geografia (2014). Neste tempo, que dura até as décadas de 1960 – 1970, o constructo teórico sobre a paisagem geográfica é enriquecido em alguns países, em outros é transformado em categoria de análise parcial de um objeto mais complexo, ou simplesmente descartada.



Após mudanças teóricas e metodológicas emerge uma “Nova Geografia”, impulsionada por uma revolução quantitativa acoplada a Teoria dos Sistemas de um lado, e outra crítico-social sob influência da ideologia marxista e/ou da fenomenologia. Neste período recente, pós 1960, a cisão artificial entre Geografia Física e Humana, iniciada após as discussões de Humboldt e Ritter, se amplia, e os estudos sobre a paisagem passam a abranger dois espectros:




  1. Paisagem Sistêmica: vertente naturalista, investiga a organização e interação dos diferentes elementos naturais e sociais no sistema geográfico, que é aberto, multiescalar e com transferências e transformações de matéria e energia, tendo como linguagem a matemática;

  2. Paisagem Cultural: vertente humanista, estuda a percepção pessoal do indivíduo e sua relação com o lugar que o rodeia, utilizando uma linguagem epistemológica apoiada na fenomenologia.



 



Este binômio no conhecimento geográfico é perceptível em diversos países, atingindo cada um em momentos e com intensidades diferentes. Como resultado dessa evolução semântica e teórica da paisagem, cada escola da disciplina produziu formas de ensino e aplicações particulares, buscando resolver problemas ambientais e/ou sociais com metodologias adaptadas as suas realidades. Alguns países se colocaram na vanguarda das discussões, constituindo polos difusores de temas, como a Alemanha, França, Estados Unidos e Rússia, outros tantos foram receptores com a particularidade da adaptação e fusão de ideias, caso bem ilustrado pela produção geográfica brasileira.



O rico universo de conceitos e aplicações da Geografia são um campo fértil para escolhas entre alunos e pesquisadores, que podem caminhar por temas de seu maior interesse e desenvolver seus trabalhos. Porém, sem um conhecimento parcial sobre o amplo conjunto teórico que sustenta as possibilidades de ensino e pesquisa, a disciplina se mostra nebulosa e muitos estudos interligam teorias e metodologias divergentes que não possuem o mesmo objeto ou categoria de análise, sintoma claro da falta de fundamentação bibliográfica e histórica da matéria.



É nesta lacuna que gostaríamos de colaborar com este minicurso. O objetivo principal da exposição é apresentar e discutir as relações entre a Paisagem e a Geografia na Alemanha, França, Rússia / União Soviética e Brasil, ao longo da história da disciplina com base em alguns autores; o secundário é expor as evoluções do conceito de paisagem, as formas de análise e derivações em trabalhos aplicados, voltados à natureza e/ou sociedade.



A justificativa que temos para a elaboração deste curso é dupla: i) possibilitará os alunos de graduação e pós-graduação entrar em contato com conceitos, metodologias e referências de países diferentes, o que contribuirá, em parte, com a formação intelectual da próxima geração de geógrafos brasileiros; ii) para docentes e pesquisadores com extenso conhecimento e tempo de carreira, a exposição servirá de base para um debate sobre as relações Natureza – Sociedade e a gênese e evolução da superfície terrestre, e, consequentemente, da paisagem, tema tão antigo quanto a própria Geografia e utilizado por significativa parcela dos estudiosos para trabalhos teóricos e/ou aplicados.



2. Conteúdo programático


A sequência de temas e autores discutidos tem inspiração nas publicações Géosystèmes et Paysages: bilan et méthodes, de Rougerie e Beroutchachvili (1991), e Epistemologia da Geografia (CLAVAL, 2014).



Dentro da linha alemã, considerada uma escola pura por ter tido início com naturalistas e geógrafos da paisagem, discutiremos tópicos relacionados a: fisionomia, fisiologia e análise em campo da paisagem, espaço vital e antropogeografia, análise comparativa e regional, abordagem ideográfica x nomotética, ecologia e geoecologia da paisagem e paisagens naturais e/ou culturais. Os autores elencados para a exposição são: Alexander von Humboldt, Carl Ritter, Friedrich Ratzel, Ferdinand von Richthofen, Alfred Hettner, Siegfried Passarge, Carl Troll, Josef Schmithüsen e Ernst Neef.



Na escola francesa, entendida em seu início como uma resposta ao movimento expansionista e teórico alemão, abordaremos os seguintes tópicos: região, geografia regional e gêneros de vida, geografia física e humana, paisagem e complexos geográficos, ecodinâmica e ecogeografia, a tríade geossistema – território – paisagem e o espaço vivido. Utilizaremos como base os trabalhos de Paul Vidal de La Blache, Emmanuel de Martonne, Pierre Deffontaines, André Cholley, Pierre Monbeig, Jean Tricart, Georges Bertrand e Armand Frémont.



Sobre a produção russo/soviética, que desenvolveu a Ciência da Paisagem (Landschaftovedenie) voltada ao ordenamento territorial, discutiremos os temas: zonalidade geográfica e complexos territoriais naturais, regionalização e paisagens naturais, estrato geográfico e aspectos teóricos e aplicados das pesquisas sobre paisagem e geossistema. Nesta etapa da discussão, traremos informações sobre os trabalhos de Vasily V. Dokuchaev, L. S. Berg, I. P. Gerasimov, A. A. Grigoriev, A. G. Isachenko, V. B. Sochava e N. Beroutchachvili.



Na escola brasileira, que tem como característica uma grande complexidade pela mistura de conceitos e teorias, abordaremos informações sobre sua gênese e evolução, a partir da contribuição de mestres franceses na década de 1930, a importância do XVIII Congresso da União Geográfica Internacional na formação de uma geração de pesquisadores nacionais, que ocorreu no Rio de Janeiro em 1956, e as influências das outras escolas discutidas. As bases para a reflexão são os trabalhos de Aziz N. Ab’Sáber e Carlos A. F. Monteiro.



Com esta sequência, tentamos rastrear alguns ramos de evolução do conceito de paisagem e suas formas de análise. No Quadro 1, sintetizamos as informações sobre as datas e horas das discussões, a escola, autores e visões que serão abordadas.



 



Quadro 1: Síntese das escolas, autores e visões abordadas no minicurso.





































Data



Escola



Autores Discutidos



Visões sobre a Paisagem e a Geografia



28/06/2017



14h – 18h



Alemã



Alexander von Humboldt, Carl Ritter, Friedrich Ratzel, Ferdinand von Richthofen, Alfred Hettner, Siegfried Passarge, Carl Troll, Josef Schmithüsen e Ernst Neef



Geografia “pura”: dos naturalistas aos geógrafos da Landschaft



28/06/2017



14h – 18h



Francesa



Paul Vidal de La Blache, Emmanuel de Martonne, Pierre Deffontaines, André Cholley, Pierre Monbeig, Jean Tricart, Georges Bertrand e Armand Frémont



Resposta francesa: a regionalização e o Espace Vécu



29/06/2017



14h – 18h



Russo-soviética



Vasily V. Dokuchaev, L. S. Berg, I. P. Gerasimov, A. A. Grigoriev, A. G. Isachenko, V. B. Sochava e N. Beroutchachvili



Paisagem-objeto e ordenamento territorial: a Landschaftovedenie



29/06/2017



14h – 18h



Brasileira



Aziz N. Ab’Sáber e Carlos A. F. Monteiro



Uma grande indefinição: amalgama de escolas, teorias e aplicações




 


Vagas: 40
Valor: 25,00
Data: 28 e 29/06/2017 - Horário: 08:00 às 18:00
Análise e mapeamento de serviços ecossistêmicos

MINISTRANTE: Prof. Dr. Diógenes Costa (UFRN)


Introdução


O Minicurso sobre “Análise e Mapeamento de Serviços Ecossistêmicos” tem como objetivo fornecer um instrumental analítico e prático preliminar para o estudo dos serviços ecossistêmicos e sua relação com a estrutura (fixos), do funcionamento (interações, fluxos e ciclos) e da dinâmica temporal e espacial dos sistemas ambientais (geossistemas e ecossistemas), bem como dos serviços por eles prestados, destacando sua aplicação no planejamento e na gestão do território.



Neste sentido, pretende-se desenvolver uma discussão sobre o referencial teórico dos serviços ecossistêmicos, trazendo a temática do uso e conservação do capital natural biótico e dos ecossistemas em uma perspectiva de paisagem, através da abordagem geossistêmica. Analisando-se os ecossistemas na paisagem, serão discutidas as diferentes funções ambientais, produtos e serviços gerados pelos processos ecológicos e funcionamento dos ecossistemas em escala local, regional e global. Por fim, esses temas serão pensados junto a necessidade de ordenamento territorial e conservação de áreas protegidas (Unidades de Conservação), na perspectiva de valoração na natureza e da paisagem, avaliação de impactos ambientais e recuperação de áreas degradadas.



As aulas estão planejadas no sentido de inicialmente partir de uma abordagem teórica sobre os serviços ecossistêmicos, seguida da avaliação da aplicação dessa abordagem na Geografia Física e dos procedimentos metodológicos para a identificação, análise e mapeamento de serviços ecossistêmicos.



Justificativa


Nos últimos anos, muitos geógrafos procuram valorar a oferta de serviços ecossistêmicos, no intuito de indicar as vantagens ou os danos causados pelos usos da terra em relação à conservação dos recursos naturais. Para o planejamento e ordenamento do território, essa forma de “medida” parece ser promissora, porque facilita a interlocução e a tomada de decisão entre diferentes aspectos integrantes da paisagem (social, econômica e natural), ou seja, aparenta ter a capacidade de unificar a linguagem de interesses bastante diversos e apontar responsabilidades sobre os prejuízos ambientais. Ganhos ou perdas de serviços ecossistêmicos são resultados diretos das mudanças que ocorrem em um território, ou seja, são produtos de transformações históricas oriundas de forças motoras e vetores de mudanças que interferem em uma paisagem e alteram a sua estrutura. Desta forma, os planejadores devem atentar que a medida de serviço ecossistêmico deve ser a expressão dessas múltiplas condições ao longo do tempo, de ocorrência em múltiplas escalas, e deve responder adequadamente às consequências das ações humanas sobre os processos ecológicos e à perda da biodiversidade, tendo também em vista o bem estar humano. Como interpretar a interferência de uma combinação particular de forças motoras e de vetores ao longo do tempo sobre a estrutura e processos ecológicos de uma paisagem e concluir sobre as mudanças de qualidade de seus recursos naturais, sem comprometer o bem estar humano? Como converter esse conhecimento em uma medida, de forma a dar solidez teórica ao planejamento e ordenamento do território? Essas perguntas representam o eixo norteador do conteúdo do minicurso, tendo a expectativa de que os(as) participantes sejam capacitados para o reconhecimento das variáveis espaço-temporais e das trajetórias de mudanças da paisagem que podem ser traduzidas em serviços ecossistêmicos.



Procedimentos Metodológicos


O minicurso será de natureza teórico-prática, envolvendo tanto a discussão durante as aulas expositivas quanto a prática de identificação, análise e mapeamento de serviços ecossistêmicos. As aulas expositivas serão ministradas com a apresentação oral do conteúdo, com uso de projetor multimídia e (se possível) um quadro. Serão levantadas questões acerca dos temas abordados, possibilitando a interação ministrante-participantes, principalmente através de estudos de caso e diálogos sobre experiências dos participantes. Todo o material será disponibilizado eletronicamente via E-mail aos participantes, assim como será disponibilizada uma cópia em local a ser definido durante a primeira aula. Em termos de materiais, solicita-se apenas a disponibilização de um espaço com projetor multimídia e, se possível, quadro para eventuais explicações com uso de lápis/pincel apropriado. Também se possível, solicita-se a disponibilização de uma fotocópia deste plano para os participantes.



Conteúdos Programáticos


Ementa



Capital natural. A abordagem geossistêmica e a distribuição dos ecossistemas na paisagem. Funções ambientais. Produtos e serviços gerados pelo funcionamento do ecossistema em escala local, regional e global. Paisagens e serviços ecossistêmicos. Conservação de Áreas Protegidas. Valoração na natureza e da paisagem. Serviços ecossistêmicos aplicados a avaliação de impactos ambientais e recuperação de áreas degradadas. Classificação e mapeamento de serviços ecossistêmicos. ESTE MINICURSO TERÁ 16 HORAS



Conteúdo



  • Patrimônio natural - Biodiversidade e Geodiversidade.

  • Teoria geossistêmica.

  • Histórico da abordagem sobre valoração na natureza e da paisagem.

  • Conceito de serviços ecossistêmicos e seu enquadramento.

  • Paisagens e serviços ecossistêmicos.

  • Ecossistema como unidade de análise na paisagem.

  • Estrutura e funcionamento de ecossistemas.

  • Funções ambientais.

  • Serviços ecossistêmicos e métodos de classificação.

  • Produtos e serviços gerados pelo funcionamento do ecossistema.

  • Classificação e seleção de indicadores de serviços ecossistêmicos.

  • Mapeamento de Serviços Ecossistêmicos.


Vagas: 30
Valor: 25,00
Data: 28 e 29/06/2017 - Horário: 08:00 às 18:00
Cartografia de paisagens

MINISTRANTE:  Prof. Dr. Lucas Cavalcanti (UFPE)


Introdução


A Cartografia de paisagens é uma atividade de natureza físico-geográfica útil à identificação de unidades espacialmente delimitáveis que refletem as relações entre diferentes sistemas ambientais. Este minicurso apresenta uma introdução aos levantamentos integrados de campo e tem o objetivo de auxiliar na construção de habilidades e competências relacionadas à cartografia de paisagens.



 



Justificativa


A Geografia Física tem colaborado e inovado com a Política Nacional de Meio Ambiente, em pelo menos duas frentes: através do levantamento de novas informações sobre os recursos naturais e; na utilização de geotecnologias para organização e divulgação dos dados obtidos. Desta forma, a Geografia Física caracteriza um elemento chave para os zoneamentos de caráter ambiental.



De outro modo, a modelagem computacional para finalidades diversas (ex.: desastres naturais) carece de dados de campo precisos para a construção de modelos mais fidedignos. Muitas vezes, a grande dificuldade encontrada na elaboração e modelos é justamente a utilização de dados de entrada confiáveis, em escalas adequadas e compatíveis entre os diferentes temas.



 



Procedimentos Metodológicos



  • Aula expositiva dialogada com auxílio de projetor de slides. É preciso acesso à internet.



 



Conteúdo Programático



  • Geossistemas e categorias para cartografia de paisagens;

  • Atividades de preparação para coleta de dados em campo;

  • Procedimentos de campo;

  • Processamentos de dados;

  • Relatório de campo.


Vagas: 20
Valor: 25,00
Data: 29/06/2017 - Horário: 08:00 às 18:00
Classificação de imagens digitais Landsat 8 no software ENVI

MINISTRANTES: Cassiano G. Messias (UNICAMP); Joaquim E. B. Ayer


 INTRODUÇÃO


A gestão territorial demanda uma constante caracterização dos recursos naturais, além de seu monitoramento contínuo, com o objetivo de sua utilização de forma racional. A execução de projetos de levantamento e mapeamento da superfície terrestre têm-se beneficiado do avanço nas áreas de sensoriamento remoto e geoprocessamento. Com o advento dos sensores orbitais, principalmente a partir da série de satélites Landsat, iniciada em 1972, grandes áreas puderam ser caracterizadas e monitoradas, o que possibilita a realização de estudos em extensas regiões a custo relativamente baixo (Jensen, 2005).



Em geral, o processo de classificação pode ser feito por interpretação visual ou por classificação digital. Para a interpretação visual, o fotointérprete extrai feições de interesse das imagens, em geral uma composição colorida RGB. Já a classificação digital é um processo de reconhecimento de padrões e de objetos homogêneos, representados em um conjunto de pixels, ao qualse aplica o mapeamento de áreas pertencentes a uma única classe de objetos (Jensen, 2005). Ainda, segundo este autor, os algoritmos responsáveis pela classificação digital são denominados “classificadores”, e a classificação pode ser feita pixel a pixel ou por regiões/objetos.



As classificações pixel a pixel baseiam-se principalmente em parâmetros estatísticos (média, variância etc.) dos pixels de treinamento, a exemplo dos perfis espectrais, para o agrupamento dos pixels remanescentes nas classes predeterminadas (Jensen, 2005). As classificações por região ou orientadas a objetos, do inglês "object?based image analysis" (OBIA), utilizam, além de informação espectral de cada pixel, a informação espacial que envolve a relação de pixels circunvizinhos, tais como forma e textura (Ponzoni et al., 2012). Assim, o classificador simula a análise de um fotointérprete, ao delimitar áreas homogêneas nas imagens, a partir das características espectrais e espaciais dos objetos que constituem as classes de interesse (Ponzoni et al., 2012).



Este minicurso tem como objetivo apresentarem diferentes técnicas de classificação digital, para o mapeamento de uso do solo, utilizando-se o software ENVI e imagens multiespectrais do satélite Landsat 8.



JUSTIFICATIVA


Embora relativamente recente, uso de imagens de satélite possui potencialidades altamente reconhecidas. A aplicação de técnicas validadas pode proporcionar melhoria e agilidade nos procedimentos de classificação, abertura de novas possibilidades de atuação dentro dos procedimentos tradicionais utilizados nos órgãos ambientais e redução dos custos associados aos programas de monitoramento ambiental (MOREIRA et al. 2013).



O minicurso proposto apresentará aos participantes diferentes técnicas de classificação de imagens, desde as mais simples (classificação não-supervisionada), às mais avançadas (como a classificação orientada a objetos). As técnicas de classificação são de suma importância à Geografia Física, sendo aplicadas ao monitoramento ambiental da distribuição espacial e alterações temporais de uso do solo, culturas agrícolas, desmatamento, queimadas, cursos d’água entre outros.



 



CONTEÚDOS PROGRAMÁTICOS


4.1. Análise Visual de Imagens Digitais Multiespectrais




  • Princípios físicos de sensoriamento remoto

  • Visualização de uma mesma área em várias bandas espectrais

  • Agrupamento de múltiplas bandas em arquivo imagem único

  • Leitura dos valores de nível de cinza de elementos da paisagem em várias bandas

  • Traçado de perfis espectrais de paisagens compostas por vários elementos



 



4.2. Representação da Paisagem em Imagens Multiespectrais Coloridas




  • Fundamentos da cor

  • Cubo RGB: R (vermelho) G (verde) B (azul)

  • Imagens em composições coloridas

  • Composições coloridas falsa-cor

  • Composição colorida verdadeira

  • Identificação de elementos da paisagem em imagens multiespectrais coloridas



 



4.3. Assinatura Espectral de Elementos da Paisagem




  • Delimitação de geofácies terrestres em imagens multiespectrais

  • Extração de parâmetros estatísticos de níveis de cinza de geofácies terrestres

  • Análise comparativa entre curvas de assinatura espectral de geofácies terrestres

  • Histogramas multiespectrais de amostras de geofácies terrestres



 



4.4.  Realce do Contraste de Imagens




  • Técnicas de Manipulação de Contraste

  • Fatiamento de Níveis de cinza

  • Processamento de Histogramas

  • Equalização de Histogramas

  • Manipulação de Contraste a partir de Mudanças no Histograma



 



4.5       Métodos de Classificação de Imagens Multiespectrais para Mapeamento do Uso e Cobertura do Solo



 



4.5.1 Classificação orientada à pixel, baseada em conhecimento prévio da área, com base nas características espectrais




  • Classificador pela máxima verossimilhança

  • Classificador pela mínima distância



4.5.2    Classificação orientada a objeto, baseada em conhecimento prévio da área, com base nas características espectrais, texturais e forma




  • Segmentação

  • Classificador SVM

  • Classificador K-NN



 



5. Avaliação da acurácia das classificações




  • Índice Kappa

  • Exatidão Global



 


Vagas: 17
Valor: 25,00
Data: 28/06/2017 - Horário: 08:00 às 18:00
Climatologia dinâmica e Índices Climáticos: A construção de episódios climáticos representativos e o RClimdex como ferramenta climatológica.

Rafael Grecco Sanches (USP) e Bruno César dos Santos (UNIFAL)


Material necessário


Os participantes devem trazer seus respectivos computadores pessoais (notebooks) com os sistemas operacionais Windows, OS-X (Apple) ou Linux com pacote básico de conjunto de programas de produtividade (Office). Os softwares utilizados no minicurso deverão ser obtidos no dia do minicurso através de download ou compartilhamento pelos ministrantes. O acesso à internet também será necessário, uma vez que as ferramentas e bases de dados utilizadas no minicurso são virtuais e obtidas por meio da rede de internet.



*OBS.: Por ser tratar-se de um script o RClimdex se utilizada da base open source do software R. Para obtê-lo antecipadamente, favor acessar o site: www.r-project.org e seguir o procedimento de instalação do seguinte endereço: http://etccdi.pacificclimate.org/RHtest/QuickGuide_to_download_and_install_R.doc. User Name: etccdi97 / Password: 76ce59d19555.



Metodologia


O presente minicurso será sistematizado em duas etapas, sendo a primeira, a abordagem dinâmica do clima e a construção de episódios climáticos a fim de verificar o ritmo e sua materialização espacial local (microclimática) e zonal (macroclimática) e, a segunda, refere-se ao uso de uma ferramenta computacional como suporte para o entendimento climático em séries temporais longas de natureza estocástica por meio de dados climatológicos.



4.1. Análise Episódica em Climatologia



A análise episódica permite analisar a evolução diária do tempo por meio de amostragens locais através de dados climáticos. De acordo com Conti (1975), os estudos da climatologia dinâmica em que tais situações atmosféricas ocorrem, fazem-se necessárias às análises episódicas a fim de reduzir a escala de abordagem e aprofundar a investigação e, a partir daí, obter-se a evolução (ritmo) dos elementos climáticos e sua repercussão no espaço geográfico. Diante de seu comportamento atmosférico sazonal (escala macroclimática) dar-se de maneira fragmentada, pode-se compreender seu ritmo. Tal processo, assim, necessita da escala local (microclimática) para a identificação e verificação dos sistemas atmosféricos e das massas de ar na escala macroclimática (NIMER 1979; SERRA & RATISBONA, 1942; VAREJÃO-SILVA, 2000).



A construção episódica local deve ser averiguada através de dados climáticos (radiação, temperatura, etc.), coletados em estações climatológicas e, assim, representados por uma interface gráfica. Para investigar as condições de tempo, utiliza-se das cartas sinóticas e imagens de satélites, a fim de representar a dinâmica atmosférica. E, em seus efeitos locais, analisados por meio de consultas ao Banco de Dados de Desastres Naturais do Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet), arquivos de jornais e revistas associados diretamente a eventos climáticos observados,  a fim de suplementar diferentes estudos, bem como relatórios e boletins climáticos e, também, decisões mitigadoras nas tomadas de prevenção de desastres, in loco.



 



4.2. RClimdex como ferramenta para análise climatológica



Uma das características comuns aos trabalhos de análise estatística em climatologia é a admissão de que o caráter externo atmosférico (gases, variabilidade solar, vulcanismo, etc.) influencia na variabilidade climática, contudo, pressupõe ou devem admitir as possíveis alterações em sistemas climáticos para princípios como a incerteza, mesmo que haja vieses estatísticos e matemáticos em séries de dados do clima (ZWIERS e VON STORCH, 2004, p. 675).



Diversas publicações (artigos, dissertações, teses, etc.) recentes envolvem as possíveis tendências de alterações climáticas por pesquisas realizadas no Brasil e em vários outros países. Nota-se ainda que diversos métodos de análise (quantitativa e qualitativa) estão associados aos termos de alterações climáticas e que, as precipitações pluviométricas se inserem com grande destaque em tais pesquisas, como AghaKouchak et al. (2010), Baldo (2006), Borsato et al. (2012), Higgins et al. (2006), New et al. (2001), Russel e Hughes (2011), Santos e Brito (2006), Santos et al. (2007), entre outros.



Nessas publicações pode-se observar uma série de mecanismos que observar-se-iam possíveis alterações nos regimes pluviométricos de diferentes ambientes, com séries histórico-temporais diversificadas e com tratamentos quantitativos (e modelagens computacionais) variados.



Um dos métodos adotados nos últimos anos em pesquisas climatológicas a partir de dados é o cálculo de índices climáticos a partir de modelagem computacional estatística, a fim de compreender o comportamento e possíveis tendências dos climas a partir de longas séries de dados, sendo que, uma das ferramentas utilizadas para tal análise é o script RClimdex e o software R.



O software R é um ambiente e uma linguagem para computação estatística e gráfica, sendo esse um projeto GNU, que representa a criação de um sistema operacional ambientado em um software livre, que é similar à linguagem e ao ambiente S, desenvolvido nos laboratórios Bell (antigo AT & T, agora Lucent Technologies) por John Chamberg e colegas.



O R fornece uma ampla variedade de modelagens lineares e não lineares, testes estatísticos clássicos, análise de séries temporais, classificação, clustering, entre outras técnicas estatísticas e gráficas, além de fornecer uma rota open source para participação nessa atividade, uma vez que seu uso junto à alterações climáticas, pode representar um avanço na interpretação dos dados climatológicos, uma vez que esse se utiliza de dados diários em sua análise e cálculo dos índices.



O software foi desenvolvido por Byron Gleason do National Climate Data Center (NCDC) da National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA), cujo uso é apresentado em diversos workshops e reuniões do CCI/CLIVAR (International Research Programme on Climate Variability and Predictability) sobre elementos climáticos e sua variabilidade desde 2001 (SANTOS, 2012).



Pesquisas em diferentes regiões, como o Caribe, o Irã, a América do Norte, entre outras (RAHIMZADEH, et al., 2008; BOOTH, et al., 2012; SHARMA; BABEL, 2013; STEPHENSON et al., 2014), a fim de compreender possíveis variabilidades presentes nesses, se utilizaram do script RClimdex, e dos índices do ETCCDMI (Climate Change Detection Monitoring Indices) desenvolvidos no NOAA (HAYLOCK et al., 2006),



O uso do software R (Disponível em www.r-project.org) e sua aplicação pode representar um avanço na interpretação dos dados climatológicos, uma vez que esse se utiliza de dados pluviométricos e de temperatura diários em sua análise a partir dos índices estabelecidos junto ao RClimdex (Zhang e Yang, 2004), dispostos em 27 índices climáticos (KARL et al., 1999 e PETERSON, et al., 1998-2001) verificados no quadro 1.
















































































































































































ID



Nome do Índice



Definição



Unidade observada



FD0



Dias frios intensos



Número de dias em que a temperatura mínima < 0ºC



Dias



SU25



Dias quentes



Número de dias em que a temperatura máxima > 25ºC



Dias



ID0



Dias frios



Número de dias em que a temperatura máxima < 0ºC



Dias



TR20



Noites quentes



Número de dias em que a temperatura mínima > 20ºC



Dias



GSL



Duração das estações do ano



Anualmente, 1° dia de janeiro ao 31° dia dezembro para o hemisfério norte e do 1° dia de julho ao 30° dia de julho, conta-se o número de dias entre a primeira lacuna de pelo menos 6 dias onde a temperatura média > 5ºC e a primeira lacuna depois de 1° de julho (1° de Janeiro para o hemisfério sul) de 6 dias onte a temperatura média < 5ºC.



Dias



TXx



Máximo das Máximas



Valor máximo de temperatura máxima registrada no mês



ºC



TNx



Máximo das mínimas



Valor máximo de temperatura mínima registrada no mês



ºC



TXn



Mínimo das máximas



Valor mínimo de temperatura máxima registrada no mês



ºC



TNn



Mínimo das mínimas



Valor mínimo de temperatura mínimas registrada no mês



ºC



TN10p



Noites frias



Porcentagem de dias onde a temperatura mínima < 10th percentil



Dias



TX10p



Dias frios



Porcentagem de dias onde a temperatura máxima < 10th percentil



Dias



TN90p



Noites mornas



Porcentagem de dias onde a temperatura mínima > 90th percentil



Dias



TX90p



Dias mornos



Porcentagem de dias onde a temperatura máxima >90th percentil



Dias



WSDI



Indicador de duração de dias mornos



Número de dias onde, nos últimos 6 dias consecutivos a temperatura máxima > 90th percentil



Dias



CSDI



Indicador de duração de dias frios



Número de dias onde, nos últimos 6 dias consecutivos a temperatura mínima > 10th percentil



Dias



DTR



Amplitude térmica diária



Diferença média mensal entre a temperatura máxima e a temperatura mínima diárias



ºC



RX1day



Máximo de chuva acumulado em 1 dia



Máximo de chuva acumulada em um único dia



mm



Rx5day



Máximo de chuva acumulado em 5 dias



Máximo de chuva acumulada em cinco dias consecutivos



mm



SDII



Índice simples de intensidade diária



Total anual de chuvas acumulado dividido pelo número de dias úmidos (quando o dia esteve >= 1.0mm) no ano



mm/dia



R10



Número de dias acima de 10 mm



Número de dias em que as chuvas >= 10 mm



Dias



R20



Número de dias acima de 2 0mm



Número de dias em que as chuvas >= 20 mm



Dias



Rnn



Número de dias acima de nn milímetros



Número de dias em que as chuvas >= nn mm, sendo nn o valor de chuvas controlado pelo usuário.



Dias



CDD



Dias consecutivos secos



Número máximo de dias em que as chuvas < 1 mm



Dias



CWD



Dias consecutivos úmidos



Número máximo de dias em que as chuvas >= 1 mm



Dias



R95p



Dias muito úmidos



Valor total anual de chuvas que estiveram >95th percentil



mm



R99p



Dias extremamente úmidos



Valor total anual de chuvas que estiveram > 99th percentil



mm



PRCPTOT



Total de chuvas acumuladas em um ano



Valor total anual de chuvas acumuladas nos dias úmidos (dias >= 1 mm)



mm





Quadro 1. Índices climáticos utilizados no RClimdex 1.1 [Adaptado de Zhang e Yang (2004)].



 



O funcionamento do RClimdex se dá, a partir da sistematização de dados climáticos diários, dispostos em séries temporais longas e  do cálculo dos índices climáticos (ZHANG; YANG, 2004).



O uso do software R e do script RClimdex é de grande valia para a interpretação da dinâmica climática, uma vez que apresentam índices distintos a fim de interpretar dados oriundos de estações climatológicas na escala local, o que permite a integração de inúmeras estações climatológicas a fim de estender a escala espacial para os estudos climatológicos e, portanto, não dificultam a análise espaço-temporal para tal finalidade.



 

 





 


Vagas: 30
Valor: 25,00
Data: 29/06/2017 - Horário: 08:00 às 18:00
Geoideias: ideias brilhantes para o ensino da geografia física

MINISTRANTE: Prof. Dr. Roberto Greco - Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/4068114349004406


Introdução


Earth Learning Idea é uma coletânea de atividades para o ensino da ciência da Terra / geografia física que podem ser utilizadas em sala de aula nas escolas para melhorar o aprendizado dos alunos e a compreensão dos fenômenos geológicos e melhorar as suas capacidades cognitivas. O projeto esta baseado neste site: http://www.earthlearningidea.com/index.html .



Começou em 2007 na Universidade de Keele na Inglaterra, e desde então as atividades propostas foram traduzidas em onze idiomas, inclusive em português por uma equipe do Instituto de Geociências da Unicamp.  Essas atividades são pensadas para utilizar matérias econômicos e fácil para se encontrar, isso faz que é possível utiliza-las em qualquer contexto escolar. O sucesso mundial do projeto pode ser medido com o ritmo dos downloads dessas atividades, mais de 40.000 por mês, por um total de mais de 3 milhões desde o inicio do projeto.



 



Justificativa


A melhor forma para apresentar essas atividades é por meio de minicursos. Já foram realizados vários em varias cidades do pais e sempre foram muito apreciado pelos participantes. Depois desses  minicursos os participantes estão apto para utilizar essas atividades em sala de aula de forma autônoma.  Essas atividades contribuem para que os professores se sentam mais confiante no ensino da geografia física melhorando a atenção para essa área do conhecimento e o aprendizado dos alunos.



 



Conteúdos Programáticos  do minicurso


Práticas de geociências na educação básica. Atividades praticas para o ensino da geografia física na educação básica.


Vagas: 30
Valor: 25,00
Data: 28/06/2017 - Horário: 08:00 às 18:00
GEOMORFOLOGÍA DE PATAGONIA, VISTA DESDE EL GOOGLE EARTH

MINISTRANTE: Prof. Dr. Jorge Rabassa (iversidad Nacional de Tierra del Fuego)


Curso será ministrado em Espanhol



Unidad 1. Aspectos básicos de la utilización del Google Earth. Herramientas disponibles. Metodología a utilizar. El uso de la escala para la descripción e interpretación.



 



Unidad 2. La Patagonia en América del Sur: aspectos geográficos, fisiográficos, tectónicos, ecológicos, biogeográficos. Geología regional. Ejemplos.



 



Unidad 3. Unidades morfoestructurales de Patagonia: unidades cratónicas y unidades orogénicas. Andes Patagónicos Septentrionales, Cuenca del Colorado-Negro, Macizo Nor-Patagónico, Cuenca de San Jorge, Andes Australes, Macizo del Deseado, Cuenca Austral, Andes Fueguinos, Plataforma Submarina. Geología, Estructura, Historia Geológica, Geomorfología.



 



Unidad 4. Reconocimiento de rasgos del paisaje de Patagonia en las diferentes unidades morfoestructurales. Escalas. Macro- y microformas.



 



Geomorfología fluvial: redes de drenaje, diseño de cuenca, enrejado, rectangular, dendrítico, caótico. Diseño de cauce, anastomosado, trenzado, meandroso. Planicies de inundación, meandros, barras transversales, rasgos de avulsión, meandros abandonados, lagos ox-bow. Deltas, estuarios. Wadis, cañadones, valles secos, bajos sin salida. Cascadas, rápidos. Pools y riffles. Terrazas fluviales, Levees o albardones.



 



Geomorfología glacial: rasgos menores de erosión glacial, estrías, surcos. Circos, umbral, nichos. Arêtes, agujas, pirámides, artesas glaciales, valles colgantes, espolones truncados, crag-and-tail, drumlins, eskers, flutes y megaflutes, morenas laterales, morenas frontales, morenas de fondo, hummocks y kettles, drumlin rocosos. Morenas medianas. Planicies glacifluviales. Sandurs. Rasgos de retroceso glacial. Pavimentos glaciales. Bloques erráticos. Procesos de nivación. Cantereo. Grietas, crevasses, rimaya, ojivas. Glaciares activos e inactivos. Mantos de hielo de montaña, casquetes, glaciares de valle simple y compuesto. Glaciares de roca. Glaciación continental o de zonas bajas. Glaciación alpina o de montaña. Límite superior de glaciación alpina.



Geomorfología periglacial: suelos pautados, abanicos gravitacionales, línea superior del bosque, permafrost continuo y discontinuo, bloques aradores, glaciares de roca, cuñas de hielo, cuñas de arena.



Geomorfología eólica: dunas, barjanes, dunas longitudinales, dunas transversales, dunas estabilizadas y dunas activas, yardangs, superficies de abrasión, ventifactos, plumas eólicas, depresiones hidroeólicas, tafoni, cavernas. Cenizas volcánicas. Loess.



Geomorfología costera: acantilados, playas de cabecera de bahía, canales de mareas, abanicos submarinos, planicies de abrasión de ola, cangrejales, dunas submarinas, terrazas marinas, tómbolos, espigas, flechas, cheniers, barras de grava, deltas, estuarios, cañones submarinos, corrientes de turbidez.



Geomorfología lacustre: acantilados costeros, albuferas, mallines, vertientes, terrazas lacustres, paleosuelos. Cuencas sin salida. Salinas y salares.



Geomorfología volcánica: conos estrato-volcánicos, conos de ceniza, necks volcánicos, coladas de lava, vinculación de las lavas con el drenaje pre-existente, tasa de erosión a partir de coladas de lava fósiles, maares. Tefras, mantos de ceniza volcánica.



Geomorfología de los Procesos de remoción en masa: deslizamientos, desmoronamientos (slumps), avalanchas. Lahares. Pedimentos.



Evolución del paisaje en el largo plazo: superficies de planación, tors, inselbergs, bornhardts, ruwors, etchplains, pedimentos, pediplanicies. Paleopaisajes gondwánicos. Meteorizacion química profunda. Perfil de meteorización. Frente de meteorización. Duricostras calcáreas. Ferricretas. Silcretas.



Riesgos geomorfológicos: procesos de remoción en masa, inundaciones, pendientes, subsidencia, aluviones, tsunamis. Ejemplos en cada una de las unidades morfoestructurales descriptas, según corresponda.


Vagas: 20
Valor: 25,00
Data: 29/06/2017 - Horário: 08:00 às 18:00
Interfaces do Gerenciamento de Áreas Contaminadas e a Geografia Física aplicada

MINISTRANTE: Patricia Martinelli (UNESP/Rio Claro)


Introdução


Há algumas décadas atrás, folhetins públicos orientavam que em caso de não haver saneamento ou coleta de resíduos, os geradores deveriam enterrar seus resíduos, considerando essa uma medida segura. A visão sobre as relações desta prática e suas consequências sobre  solo, água subterrânea e superficial eram desconsideradas ou pouco compreendidas. Outras tantas práticas inadequadas de produção, destinação de resíduos e efluentes geraram um passivo ambiental ainda desconhecido no Brasil. Deste modo, o avanço do entendimento mais amplo das relações entre solo, água subterrânea e águas superficiais fizeram, juntamente com alterações de uso do solo, virem à tona passivos ambientais de contaminação de solo e água antigos e mais recentes, expondo populações a riscos tecnológicos.



Tanto os processos de formação territorial do Brasil, bem como a atual configuração espacial da distribuição de população e atividades industriais, agrícolas e agroindústrias no território sugerem uma distribuição diferenciada destes riscos tecnológicos.  A apropriação de áreas para diferentes atividades, com sua dinâmica de mudança do perfil de ocupação ao longo do tempo e do espaço expuseram os riscos das alterações da qualidade do solo e água.



O controle e gerenciamento destes riscos é regido por um conjunto de procedimentos, leis e normas, que mobilizam parte significativa dos conhecimentos da formação do geógrafo, acionando noções de pedologia, geomorfologia, climatologia, hidrologia, hidrogeologia, planejamento, uso e ocupação do território, entre outros. Assim o presente minicurso objetiva abordar o contexto de emergência da problemática, as normas e leis que regem sua regulação e as contribuições da formação do geógrafo a ações aplicadas ao gerenciamento ambiental destas áreas.



Justificativa


O aumento de registros de casos de intoxicação por agrotóxicos no Brasil, citados por Bombardi (2011) reforçam a perspectiva de que para além das áreas industriais, áreas agrícolas também são afetadas pelo uso de substâncias químicas que tem a capacidade de alterar a qualidade dos ambientes e a saúde de populações inteiras. A demanda por ampliação de terras para uso urbano e uso agrícola expandem significativamente a exposição de populações e ambientes a novos riscos. Casos emblemáticos como ocupações residenciais em áreas que outrora foram depósito de resíduos tóxicos, ou contaminação de solos e águas em áreas rurais que geraram mortes, intoxicações tornam-se cada vez mais visíveis. O número de áreas contaminadas só no Estado de São Paulo vem crescendo significativamente, mas certamente esse número de áreas confirmadas com contaminação tende a aumentar significativamente devido ao impulso de novas diretrizes de licenciamento para atividades industriais, dentre as quais há exigência de identificação de áreas potenciais de contaminação na atividades desenvolvidas e programas preventivos de monitoramento de solo e água subterrânea.  Assim saber reconhecer procedimentos e normas adequadas, conceber um modelo conceitual de contaminação no solo e água subterrânea por atividades antrópicas e prevenir exposição de populações é uma tarefa que demandará esforços significativos.



Procedimentos Metodológicos



  • Uso de projetor (Datashow)

  • Cópia de Kit de Material para uso durante minicurso – aproximadamente 5 folhas A4 para cada participante.

  • Estratégia: Oficina. Dinâmica geral regida pelas seguintes operações: apresentação do tema; organização e interpretação de leis e dados ambientais, aplicação de fatos e princípios a situações, decisões, diálogos de encerramento e resumo.



 



Conteúdo Programático do minicurso



  • Histórico do Gerenciamento de Áreas contaminadas no Brasil

  • Casos Críticos

  • Legislação

  • Normas e procedimentos técnicos

  • Referências de qualidade para solo e água

  • A contribuição da formação do geógrafo para a elaboração dos modelos conceituais de gerenciamento de Áreas Contaminadas


Vagas: 20
Valor: 25,00
Data: 28/06/2017 - Horário: 08:00 às 18:00
Introdução à Análise Digital do Terreno no GRASS GIS

MINISTRANTES: Carlos Henrique Grohmann, Karina Patrícia Prazeres Marques e Rafaela Soares Niemann



 


Introdução


 



Os programas livres apresentam uma liberdade em relação ao seu uso e funcionalidades, assim como uma flexibilidade de acesso do seu sistema, principalmente pela facilitação de versionamento de seus programas. Isso se dá pelo fato deles terem código aberto para desenvolvedores do mundo inteiro, facilitando o acesso desenvolvedor-usuário e possibilitando uma diversificação dos seus algoritmos e funções. Essa flexibilização do seu uso proporciona uma maior orientação quanto à demanda de seus usuários e acesso gratuito a um maior número de pessoas, facilitando o seu uso em universidades e demais órgãos públicos e privados.



O programa GRASS GIS (Geographic Resources Analysis Support System) é gratuito, de código aberto, robusto e atua nas diferentes áreas de geoprocessamento e sensoriamento remoto. Ele possui diferentes módulos que são utilizados em processamento de imagens, manipulação e transformação de dados rasters e vetoriais, georreferenciamento de imagens multiespectrais, interfaces para bancos de dados PostgreSQL, MySQL, SQLite, DBF, e ODBC, além de poder ser conectado a UMN/Mapserver, R-stats, gstat, Matlab, Octave, Povray, Paraview e outros programas. Também pode ser utilizado com linhas de comando, como scripts em python para acelerar e agregar algoritmos em seu sistema operacional.



Justificativa


O uso de programas gratuitos e de código aberto (open source) vem se destacando no processamento de dados espaciais frente aos pagos e de código fechado, como o ArcGIS e Spring, em razão desses não demandarem a aquisição de licença. Isso os torna promissores no meio acadêmico e profissional, uma vez que um maior número de usuários pode fazer seu uso em diferentes áreas do conhecimento. O programa GRASS GIS se enquadra nesse contexto de programa livre e de código aberto, entretanto, ele ainda é pouco utilizado, devido às diferenças na organização da sua base de dados e na sua interface. Esse minicurso pretende disseminar o uso do programa GRASS GIS na análise digital do terreno, uma vez que há uma crescente demanda de entender e representar a superfície do terreno em diversas áreas.



Conteúdos Programáticos do minicurso


PROGRAMA TEÓRICO



1 Importância e aplicações da Análise Digital do Terreno;



2 Introdução ao GRASS GIS;



2.1 Estrutura dos dados espaciais (contínuo e discreto);



2.2 Estrutura da base de dados (location, mapset, region);



2.2.1 Criação de location e mapset;



2.2.2 Definição de region;



2.3 Interface do programa;



3 Processamento de dados no GRASS GIS;



3.1 Dados vetoriais;



3.1.1 Obtenção de dados vetoriais;



3.1.2 Uso de dados vetoriais;



3.1.3 Geração de Modelo Digital do Terreno;



3.2 Dados raster;



3.2.1 Obtenção de dados raster;



3.2.2 MDE versus MDT;



3.2.3 Resolução espacial e vizinhança;



3.2.4 Parâmetros digitais do terreno;



3.2.5 Aplicações.



PROGRAMA PRÁTICO



1 Interpolação de superfícies (dados vetoriais);



2 Obtenção de Modelos Digitais de Elevação (SRTM);



3 Obtenção dos parâmetros do terreno (dados raster e vetoriais);



3.1 Hipsometria;



3.2 Relevo sombreado;



3.3 Declividade e aspecto;



3.4 Curvatura;



4 Análise exploratória dos dados (estatística);



5 Programação em python no GRASS (breve explicação);



6 Apresentação dos dados (layout).


Vagas: 15
Valor: 25,00
Data: 29/06/2017 - Horário: 08:00 às 18:00
Métodos de Correção e Interpolação Espacial de Dados Pluviométricos: Teoria e Prática

MINISTRANTES: Adriana F. Conceição; Deborah F. S. Gimenez e

Introdução


A precipitação pluvial é uma grandeza de extrema importância nas mais diversas esferas. O entendimento de suas dinâmicas e de sua distribuição temporal e espacial faz-se necessária para estudos em Geografia, pois este elemento climático exerce influência não somente no clima de determinado local, mas também nas bacias hidrográficas, na agricultura, áreas urbanas, unidades de conservação, sendo estudados até mesmo nos setores de economia e política. Para analisá-la é fundamental dispor de séries consistentes, no entanto, nem sempre os dados disponíveis apresentam-se desta forma. Neste âmbito, é necessário contar com métodos de preenchimento e correção dos dados. Diferentes métodos têm sido utilizados para espacializar dados de precipitação pluvial em diferentes regiões, já que os dados obtidos nas estações pluviométricas são representações apenas pontuais, sendo fundamental entender o funcionamento dos métodos de interpolação existentes para escolher o que melhor se aplica em cada tipo de estudo. O curso terá como objetivo fazer uma introdução teórica aos estudos de espacialização e correção de dados de precipitação pluviométrica, e posteriormente, finalizando com a prática por meio dos programas hidroweb, Arcgis e pacote R. ESTE MINICURSO TERÁ DURAÇÃO DE 16 HORAS.



 



Justificativa


O conteúdo a ser oferecido no curso contribuirá para que o usuário possa aplicar o aprendizado em suas pesquisas, podendo ser em diferentes áreas, como por exemplo, no monitoramento de atividades agrícolas, estudos em áreas urbanas, unidades de conservação, bacias hidrográficas, entre outros.



Os participantes do curso adquirirão conhecimentos sobre:




  • Fazer o download de dados de precipitação pluvial;

  • Corrigir falhas em dados de chuva a partir do método das Redes Neurais Artificiais (RNA’s) perceptron multicamadas;

  • Gerar mapas de espacialização de dados de chuva por meio de interpolação;



 



Conteúdos Programáticos do minicurso


Parte Teórica



            28/06/2017 (quarta-feira)




  • As estações pluviométricas no Brasil e a importância da espacialização para diferentes estudos

  • Arquivo Vetorial x Arquivo Raster;

  • Disponibilidade gratuita de arquivos no formato shape e dados de informação de chuva pelo sistema HidroWeb da Agência Nacional de Águas (ANA);

  • Métodos de preenchimento de dados de chuva com falhas (ênfase nas Redes Neurais Artificiais perceptron multicamadas);



 



29/06/2017 (quinta-feira)




  • Sistemas de informação geográfica para interpolação espacial de dados de chuva

  • Interpolador Inverso do quadrado da distância x Krigagem



 



Parte Prática



            28/06/2017 (quarta-feira)




  • Baixando arquivos vetoriais do site do IBGE

  • Baixando dados de chuva do sistema Hidroweb da Agência Nacional das Águas (ANA)

  • Correção de dados de chuva pelo método das Redes Neurais Artificiais perceptron multicamadas em ambiente R;



 



29/06/2017 (quinta-feira)




  • Espacialização de dados de precipitação pluviométrica pelo método de interpolação por krigagem

  • Layout dos mapas

  • Análise dos resultados


Vagas: 20
Valor: 25,00
Data: 28 e 29/06/2017 - Horário: 08:00 às 18:00
O processo de ensino-aprendizagem do conteúdo solo, mediado pelo uso de materiais e instrumentos de apoio didático na ciência geográfica

MINISTRANTE: Cleire Lima da Costa Falcão (UECE)


Introdução


A análise da natureza por parte da Ciência Geográfica constitui-se, desde a sua base, como uma ciência interdisciplinar, tornando-se cada vez mais pertinente o estudo do homem no contexto da formação da paisagem. Inúmeros fatores interagem mutuamente na elaboração do espaço geográfico, neste emaranhado de fenômenos e elementos resultantes da paisagem, temos o solo.



Entre os recursos naturais de nosso planeta, os solos, são de relevante importância, sobretudo porque a maior parte dos nossos alimentos, direta ou indiretamente, provém dos campos de cultivo e pastagens neles implantados e como recurso natural dinâmico.



Contudo, na geografia escolar, o ensino da ciência do solo, ainda caminha muito lento, sua produção é pouca expressiva em relação às demais áreas. De modo geral, as limitações dos livros didáticos e a produção de material que possa ser utilizado por professores ainda é muito limitada. Na educação do ensino fundamental e média, os estudantes não tem acesso a informações corretas tecnicamente, úteis ou adequadas à realidade brasileira, o que pode ser evidenciado nas deficiências e falhas existentes nos materiais didáticos disponíveis. Vista ainda que, quando mencionado aparecem nos livros didáticos na área de ciência e raras às vezes na área de geografia.



Esta situação foi constatada por diversos autores em pesquisas com objetivo de conhecer o conteúdo dos livros didáticos de geografia no ensino fundamental em escolas públicas como FELTRAN FILHO et al,(1996); ROMANATTO (2004), constataram que o uso do livro didático no ensino brasileiro, ao invés de ser um material de apoio, passa a ser o único recurso pedagógico adotado em sala de aula. Neste mesmo contexto, (SILVA et.al, 2008) ao analisar livros didáticos de Geografia apontaram que o conteúdo não contribui de forma clara e coerente para o entendimento do solo no contexto da paisagem, deixando em muitas vezes reconhecer a sua importância quanto elemento da paisagem. Na tentativa de simplificação da exposição do processo de formação do solo, deixam de abordar alguns temas importantes, como por exemplo, tipos de material de origem, suscetibilidade a erosão, etc.



Somando-se ao fato de que as metodologias adotadas pelo professor em sala de aula, por muitas vezes, tornam o conteúdo traduzido na fala dos alunos como “decorreba”, não levando em conta que a interdisciplinaridade proporciona a mesma, inúmeras formas de ser trabalhada em sala de aula. Sua forma de ministrar ocorre de forma mecânica, desenvolvem apenas habilidade de memorização dos conteúdos, impedindo o ato de racionar, imaginar e criar. 



A elaboração de materiais educativos como estratégias do processo de ensino-aprendizagem estão tornando-se cada vez mais presente no universo da educação, esta irá possibilitar uma maior interatividade, e pode ser usada como instrumento de comunicação, de pesquisa e de produção de conhecimento. Desta forma localizamos o conhecimento, selecionamos o que é relevante e integramos os conhecimentos anteriores.



Os materiais tem o propósito de levar aos professores e alunos das escolas, situações concretas de vivência local, representadas nas diversas atividades oportunizando problematizar questões de uso e manejo do solo, estimulando o aluno a produzir o seu conhecimento. O material é resultado de uma proposta que vem se configurando no cenário do ensino no Brasil, que é o ensino por meio de recursos lúdicos como jogos, desenhos, revistas em quadrinho entre outros. Conclui-se que as atividades propostas são ferramentas metodológicas importantes que auxiliam na aquisição dos conhecimentos científicos, de forma eficaz e significativa e ajudam a criar um clima de entusiasmo sobre os conteúdos abordados, de forma motivadora.



Portanto, temos como objetivo desenvolver materiais de apoio didáticos como ferramenta para ilustrar conceitos e conteúdos relativos ao tema solos, voltados para a formação de educadores e de educando da rede de ensino Fundamental e Médio, superior e técnico.



 



Justificativa


Algumas das grandes dificuldades encontradas pelos professores de Geografia são o planejamento e a organização do conteúdo a ser ensinado. Os materiais de apoio didáticos tornam-se facilitadores no processo de ensino-aprendizagem, ou seja, ilustra os conteúdos e busca concretizar a teoria e sair do abstrato, aproximando o aluno dos conhecimentos científicos, trabalhando a linguagem verbal e visual, entre outros.



Para o desenvolvimento da aprendizagem, é muito importante que o professor busque envolver o aluno para que ocorra uma dinamização durante as aulas, permitindo assim, apontar elementos à reflexão em torno do conhecimento no contexto que se insere. Este deve ser visualizado como um tema transversal, onde possa estabelecer relação com as Ciências Naturais e a Geografia principalmente. Portanto, torna-se imprescindível e de fundamental importância, o trabalho e a flexibilidade do professor não só de geografia mais das demais áreas adotar metodologias e recursos didáticos que possam correlacionar os conteúdos a fim de expandir o raciocínio do aluno, sistematizar os conhecimentos e despertar o seu interesse do aluno.



Conteúdos Programáticos acionados  do minicurso


- Discussões prévias sobre o ensino do solo no contexto escolar;



- Elaboração de materiais didáticos



-  Execução de experimentos : refletir a interferência do homem no meio ambiente


Vagas: 25
Valor: 25,00
Data: 29/06/2017 - Horário: 08:00 às 18:00
Uso de DRONE/VANT para análises ambientais: princípios teóricos, práticas de aquisição e processamento de dados, e aplicações na Geografia Física

MINISTRANTE: Prof. Dr. Tony Vinicius Moreira Sampaio (UFPR); Otacílio Lopes de Souza da Paz (UFPR); Elaiz Aparecida Men

Introdução


As geotecnologias possuem relevante potencial de aplicação nas análises ambientais atrelada ao campo da Geografia Física. Florenzano (2005, p. 24) destaca que “as geotecnologias referentes ao Sensoriamento Remoto e aos Sistemas de Informações Geográficas (SIG) estão cada vez mais interligadas. Suas aplicações nos diferentes campos do conhecimento têm aumentado”. O uso de imagens aéreas, por exemplo, apresenta um vasto campo de aplicações nas mais diversas áreas de conhecimento.



Os sensores remotos utilizados para aquisição dos dados de sensoriamento remoto são diversos e, estão em constante atualização com o intuito de obter melhor precisão que possibilita um maior nível detalhe. Atualmente, estão disponíveis no mercado brasileiro equipamentos e aplicativos, que visam melhoria na aquisição e processamento dos dados de sensoriamento remoto. Dentre esses equipamentos e aplicativos, merecem destaque dois: aqueles associados a técnica LIDAR (Light Detection and Ranging); e as plataformas de Veículo Aéreo Não-Tripulado (VANT) e seus sensores remotos embarcados.



Esse último, também, comumente chamado de drone, têm apresentado vantagens técnicas e econômicas na aquisição de dados de sensoriamento remoto se comparado ao aerotransportado por aeronave e orbital (LONGHITANO, 2010). Di Gregorio et al., (2015, p.58) enfatizam que



para detecção, monitoramento, caracterização e mapeamento de eventos, processos e alterações de rápido desenvolvimento, os VANTs, controlados remotamente, são atualmente um dos equipamentos mais promissores e flexíveis para obtenção de dados aéreos em determinadas altitudes. Esses dados têm grande nível de detalhe e precisão e podem ser incorporados em um sistema de informações geográficas (SIG). 



Neste viés, têm se observado nos últimos uma expansão dos estudos que apresentam os potenciais de aplicação dos sensores embarcados em VANTs para os estudos ambientais, especialmente no contexto brasileiro, aqueles que avaliam impactos (EVERAERTS, 2008; LONGHITANO, 2010; JORGE et al., 2011; TURNER et al., 2012; SILVA, 2013; BUFFON et al., 2017). Aponta-se, a partir desses estudos, como benefícios do uso de VANTs os seguintes pontos: 1) redução dos custos associados à aquisição de imagens aéreas; 2) maior flexibilidade na aquisição das imagens; 3) melhor resolução espacial e temporal se comparado aos satélites; e 4) maior possibilidade de incorporação constante de novas tecnologias. Como principal limitação, cita-se a baixa autonomia do equipamento, o que dificulta a execução do levantamento de dados, de modo consecutivo, em grandes áreas.



Considerando esses conhecimentos gerais e exploratórios do uso de Drone/VANTs, almeja-se com a presente proposta de minicurso estabelecer um caminho para difusão dos conhecimentos teóricos, metodológicos e práticos sobre a aquisição e processamento de dados de sensoriamento remoto por meio de VANT. Para atender tal objetivo, propõem-se uma estruturação do minicurso a partir de 5 etapas, a saber: 1) Abordagem teórica; 2) Planejamento do trabalho de campo (plano de voo); 3) Execução do trabalho de campo para coleta de dados (realização do voo); 4) Processamento dos dados obtidos em campo; 5) Aplicação dos dados de sensoriamento remoto em ambiente SIG para análises ambientais voltadas a Geografia Física.



Justificativa


A realização do minicurso proposto possibilita aos participantes uma experiência de aprendizado teórico e prático único com a tecnologia de Veículos Aéreos Não Tripulados (VANTs) sob a perspectiva de suas aplicações em análises ambientais associadas a Geografia Física. A cada dia o uso dos chamados drones vêm se firmando como importante ferramenta para a aquisição de dados nas mais diversas áreas de conhecimento.



Na Geografia, alguns estudos com o uso desse equipamento foram divulgados no Simpósio Brasileiro de Sensoriamento Remoto realizado nas cidades de Foz do Iguaçu (2013) e João Pessoa (2015). No que concerne ao Simpósio Brasileiro de Geografia Física, uma busca nos anais e programação dos três últimos simpósios (Dourados (2011), Vitória (2013) e Teresina (2015)) permite afirmar que esse tema é inovador no evento, uma vez que não se identificou trabalhos e minicursos que fizeram referência em sua metodologia para o uso de VANTs.



Nesse sentido, considerando que os Drones/VANTs estão no rol dos debates sobre o uso de tecnologias para mapeamentos, e ainda pouco explorados pela ciência Geográfica, lança-se a presente proposta de minicurso. Atrelado a isso, destaca-se que o minicurso se constitui como uma possibilidade inédita, neste evento, para promover o debate e a realização de práticas acerca do uso de VANT para análises geográficas.   



A proposta se insere, principalmente, no eixo “Geotecnologias e modelagem espacial em Geografia Física”, mas permite em seu escopo, que cada participante escolha a temática de maior interesse para aplicação dos dados obtidos com o VANT, durante trabalho de campo na cidade de Campinas/SP. Nesse sentido, as atividades do minicurso podem enquadrar-se em diversas temáticas, como exemplos citam-se: bacias hidrográficas (avaliação das áreas de APPs), desastres naturais (identificação e caracterização das áreas de risco a inundação), práticas de ensino (imagens áreas e os conceitos e categorias da geografia), sistemas geomorfológicos (avaliação de processos erosivos), legislação ambiental (análise do uso e cobertura da terra), geografia da saúde (monitoramento de áreas de risco); cartografia (geração e análise de produtos: MDE, MDT, MDS), planejamento ambiental (cálculo de volumes desde pilhas de estoque de minério até depósito de resíduos, como aterros sanitários e sucatas), hidrologia (identificação de meandros abandonados), climatologia (avaliação dos impactos decorrentes de fenômenos climáticos).  



Neste viés, compreende-se que as atividades do minicurso são um momento ímpar de aprendizado, que visam integrar uma discussão das diversas temáticas dentro da Geografia Física com o uso das novas tecnologias (Drones/VANTs). O espaço destinado a teoria e a prática, colocam em evidência a importância das geotecnologias para a construção de mapeamentos que auxiliem na análise dos processos e fenômenos do espaço geográfico, dentro dos limites e possibilidades da representação computacional e suas novas tecnologias.


Vagas: 17
Valor: 25,00
Data: 29/06/2017 - Horário: 08:00 às 18:00